Quanto do que somos
Será parte do que fomos?
Quanto é ainda nosso
Ou nos terá sido imposto?

Não consigo distinguir,
Entre os vícios da minh’alma,
Os que me lembram de mim.

Não consigo ver
Além das palas
Que m’ensinaste a usar.

Não consigo admitir
Não ser apenas eu que escrevo
Mas não me concedo olhar.

Há muito que não escrevo.
Hoje de manhã tomava um café e
Pensava
No que somos.

Dormi durante o eclipse,
Nem quero saber.
Por mim ficavas tapado a manhã toda,
Sol.

Pensei em escrever sem pretensão
Mas não tinha interesse nenhum.
Isso é para os fracos,
Que debitam sentimentos.

O que sinto é para mim,
E tu lês o que quero que leias.
Se um sentimento escapar foi puro
Engano.

Começar

Não estou pronto para cair
Estou pronto para existir
Estou pronto para vestir
Esse hábito sem julgar
O medo que há em ti
O segredo que eu ouvi
O calor da tua paixão
Se o que eu quero eu não vivi
Se eu ainda não senti
A vontade de começar…

Não sei o que vou encontrar
No que me irei tornar,
Onde vai desaguar
Esse rio que é nosso
Se eu quiser será o fim
Se eu quiser será para mim
Se eu ao menos quiser
Acordar deste sono…

Não sei se eu vou tentar
Sei o preço a pagar
Por voltar a falhar
Já não tenho mais vidas
Mas vou esperar assim
Tentar conter-me em mim
De modo a que a razão
Esconda sempre a paixão